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Noticiário Policial
Em 4 anos, 27 tipos de agrotóxicos foram encontrados na água de SJDR

Uma pesquisa aponta que, entre os anos de 2014 e 2017, foram encontrados 27 tipos diferentes de agrotóxicos na água de São João del-Rei. Vale destacar que esse número não é à toa – as empresas que tratam e distribuem água são obrigadas a testar exatamente 27 tipos de agrotóxicos. Ou seja, todos os tipos de agrotóxicos que as empresas são obrigadas a verificar foram encontrados.

Dentre os tipos encontrados, 11 estão associados a câncer, defeitos congênitos e distúrbios do sistema endócrino. Outro número importante é a recorrência: alguns dos agrotóxicos foram encontrados em mais de 90% das análises.

A legislação prevê que existe um percentual máximo de agrotóxico permitido na água que utilizamos. No caso de São João del-Rei, nenhum desses agrotóxicos estava em nível individual acima dos limites previstos.

Esse estudo foi desenvolvido pela Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye, com dados do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (SISAGUA) do Ministério da Saúde.

A professora e pesquisadora da UFSJ, Iola Gonçalves Boechat, explicou como os defensivos aplicados nas lavouras podem acabar chegando à água que consumimos no dia a dia: “A água passa por diversos ambientes e está sujeita à esses ambientes. Isso é devido ao ciclo da água: a água que choveu na zona rural pode estar presente no ponto de captação”, disse.

A Vigilância Sanitária de SJDR informou não ter ciência desses números, que nenhuma ação relacionada à contaminação da água por agrotóxicos foi desenvolvida pelo setor e sugeriu que esse assunto talvez fosse responsabilidade do setor de vigilância epidemiológica.

Já o setor de vigilância epidemiológica afirmou que a responsabilidade pela análise é das empresas que prestam o serviço de tratamento e que quando recebe informações relacionadas a esse assunto, repassa ao DAMAE e ao setor de vigilância sanitária.

 O DAMAE esclareceu, por meio de nota, que, após a última licitação, essas análises são feitas pela Bioagri Ambiental. Informou também que segue as diretrizes previstas pelo Ministério da Saúde para controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano.

Já a Copasa informou que “possui um rigoroso controle de qualidade da água” distribuída na Colônia do Marçal em São João del-Rei e em todos os municípios onde atua. Para garantir a qualidade da água, a Companhia realiza análises antes, durante e depois do processo de tratamento, sempre respeitando as determinações do Ministério da Saúde.

A pesquisa ainda revelou a situação de outras cidades da região. Em São Tiago, foram encontrados 13 agrotóxicos; Tiradentes, 6 agrotóxicos; em Barroso, 4; em Ritápolis, 3. Santa Cruz de Minas não tem dados consolidados no sistema.

Foto: Reprodução/ Poder 360

 

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